Outubro Rosa: informação e diagnóstico precoce fazem a diferença no cuidado com a saúde

Outubro Rosa: informação e diagnóstico precoce fazem a diferença no cuidado com a saúde

 


O Outubro Rosa é um movimento de conscientização sobre o câncer de mama que reforça a importância da informação, da atenção aos sinais do corpo e do diagnóstico precoce. Mais do que lembrar o tema durante o mês de outubro, a campanha busca incentivar o cuidado com a saúde e ampliar o acesso a orientações que podem fazer a diferença na identificação e no tratamento da doença. O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Para o triênio de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 78,6 mil novos casos por ano no país, correspondendo a um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.

Os números reforçam a relevância da conscientização e da adoção de medidas que favoreçam a identificação da doença em seus estágios iniciais. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de mama apresenta maiores possibilidades de tratamento bem-sucedido, com chances de cura que podem superar 95% em determinados contextos clínicos.

Atenção aos sinais em todas as fases da vida

 

Embora a incidência seja maior entre mulheres com mais de 50 anos, o câncer de mama também pode ocorrer em pessoas mais jovens. Por isso, conhecer o próprio corpo e estar atenta a mudanças persistentes é importante em qualquer idade. De acordo com a médica mastologista da Unimed Noroeste/RS, Eduarda Silbert Luzzi, entre os sinais que merecem avaliação profissional estão o surgimento de nódulos na mama ou na axila, alterações recentes no formato ou na pele das mamas, retração do mamilo e secreção espontânea, ou seja, a saída de líquido pelo mamilo sem que ele seja apertado, especialmente quando há presença de sangue.

“As mulheres devem principalmente se atentar a mudanças da aréola e da pele da mama. Saída de secreção do bico do peito nunca é normal e sempre merece avaliação. Além disso, retração da papila ou da pele da mama, abaulamentos ou pele espessada, como uma casca de laranja, merecem atenção e investigação médica”, destaca a especialista. A presença desses sinais não significa, necessariamente, câncer, mas indica a necessidade de procurar um serviço de saúde para investigação. A ausência de sintomas, por outro lado, não elimina a importância dos exames de rastreamento indicados conforme a idade, o histórico pessoal e familiar e a avaliação profissional.

Mamografia e diagnóstico precoce

 

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama e pode identificar alterações antes mesmo de serem percebidas pelo toque. Sua indicação deve considerar as recomendações vigentes e as características de cada pessoa. “Todas as mulheres entre 40 a 74 anos devem realizar mamografia anual, podendo ser realizada antes, conforme histórico familiar ou sintomas da paciente. Nesses casos, sempre é recomendado discutir com o mastologista, baseado no risco individualizado”, orienta a médica mastologista Eduarda Silbert Luzzi.

É importante diferenciar o rastreamento, realizado em pessoas sem sintomas, da investigação diagnóstica, indicada quando há alguma alteração suspeita. Quando um sinal aparece, não se deve esperar atingir determinada idade para procurar atendimento. O recomendado é buscar orientação profissional o mais rápido possível. A avaliação médica permite definir quais exames são necessários em cada situação. “O diagnóstico precoce, ou seja, aquele diagnóstico feito em nódulos menores que dois centímetros, proporciona uma taxa de cura de 95 a 98%, com melhor prognóstico e, em alguns casos, até o descalonamento de tratamento, por vezes evitando quimioterapia e, na grande maioria dos casos, evitando a mastectomia, proporcionando melhor qualidade de vida e retorno às atividades normalmente”, destaca a especialista.

Além dos exames, hábitos saudáveis também fazem parte do cuidado com a saúde. A prática regular de atividade física, a alimentação equilibrada, a manutenção do peso adequado e a redução do consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas que podem contribuir para diminuir o risco da doença. “O câncer de mama ocorre com maior prevalência acima dos 50 anos de idade, porém vem crescendo na faixa abaixo dos 40 anos. Acredito que, em grande parte, isso se deva aos hábitos do dia a dia. Por isso, é recomendado realizar no mínimo 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade física rigorosa por semana, ter uma alimentação saudável, diminuir o consumo de álcool e cessar o tabagismo. Além disso, as mulheres mais jovens devem manter um peso adequado. Também se deve estimular a amamentação dos filhos por, pelo menos, 12 meses, diminuindo assim o risco de câncer de mama”, finaliza a mastologista.

Informação que incentiva o cuidado

 

O Outubro Rosa é uma oportunidade para ampliar o diálogo sobre a saúde da mulher, esclarecer dúvidas e reforçar a importância de procurar os serviços de saúde sempre que necessário. A participação de profissionais de saúde em ações de conscientização também contribui para aproximar a informação da comunidade e orientar sobre os cuidados necessários em cada fase da vida.

Mais do que uma campanha de um mês, o Outubro Rosa reforça uma mensagem que merece estar presente durante todo o ano: conhecer os sinais de alerta, manter os cuidados de rotina e buscar orientação profissional são atitudes importantes para a saúde. Informação de qualidade e acesso oportuno aos serviços de saúde fazem parte desse caminho.

Conteúdos

Relacionados

O Que você procura?

Busca

Pesquisar