Janeiro Branco: um convite ao cuidado com a saúde mental

Janeiro Branco: um convite ao

cuidado com a saúde mental

 

Neste mês, o movimento Janeiro Branco ganha destaque ao promover a conscientização sobre a saúde mental. A campanha incentiva o cuidado com as emoções, a quebra de tabus e a busca por qualidade de vida, por meio de ações voltadas ao diálogo, ao autocuidado e à prevenção de transtornos como ansiedade, depressão e burnout. O movimento tem como símbolo a cor branca e ocorre no primeiro mês do ano, justamente por representar novos começos e recomeços.

Esse período convida à reflexão sobre a vida, ao planejamento do futuro e à projeção de mudanças, reforçando a importância de olhar para a saúde emocional com a mesma atenção dedicada à saúde física. A proposta do Janeiro Branco é ampliar o diálogo sobre sofrimento psíquico, qualidade de vida e prevenção de transtornos mentais, alertando para a importância de não ignorar sinais de fragilidade emocional, seja no contexto familiar, social ou organizacional.

Afastamentos por saúde mental crescem a cada ano

Os dados reforçam a relevância do tema. Informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de um bilhão de pessoas no mundo convivem com algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão as condições mais prevalentes. No Brasil, o cenário também é preocupante. Dados do Ministério da Previdência Social (MPS) apontam que, em 2024, foram concedidas 472 mil licenças por motivos relacionados à saúde mental, um aumento de 68% em relação a 2023. Já em 2025, informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam um crescimento de 143% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Entre os principais motivos estão, novamente, a ansiedade e a depressão, que juntas somam quase meio milhão de casos, o maior número registrado nos últimos dez anos.

Esses números evidenciam o quanto o adoecimento mental tem se tornado mais frequente e reforçam a necessidade de ações que incentivem a busca por profissionais especializados, além da valorização de atividades de lazer e autocuidado. No ambiente corporativo, também se torna essencial a adoção de práticas que promovam um clima mais acolhedor, reduzindo pressões excessivas e prevenindo impactos que vão muito além do afastamento do trabalho.

Reconhecer os limites é o primeiro passo

Em meio às metas e expectativas típicas do início do ano, os sinais de adoecimento emocional muitas vezes são ignorados. O bem-estar é influenciado por fatores como pressões constantes, excesso de trabalho, insegurança financeira, conflitos interpessoais, falta de reconhecimento e dificuldades em equilibrar a vida pessoal e profissional. Segundo a psicóloga do Viver Bem da Unimed Noroeste/RS, Giovana Preichardt Rodrigues, a saúde mental faz parte do plano de cuidado e, cada vez mais, esse tema tem ganhado espaço tanto nas empresas quanto no âmbito familiar.

“As pessoas estão cada vez mais compreendendo a importância de olhar para si, reconhecer suas emoções e falar sobre seus sentimentos”, destaca a profissional. “A saúde mental está diretamente relacionada ao modo como cada indivíduo lida com os enfrentamentos e desafios da vida”. Entre os sinais de alerta estão o esgotamento mental, o estresse excessivo e a ansiedade. Nessas situações, buscar apoio profissional é fundamental para o cuidado adequado e a adoção de estratégias eficazes de enfrentamento.

Investir em bem-estar melhora resultados

Manter uma cultura organizacional que valorize o bem-estar dos colaboradores é essencial não apenas por empatia, mas também por seus impactos positivos nos resultados. Ambientes de trabalho saudáveis contribuem para a redução do absenteísmo, o aumento da produtividade e a sustentabilidade das organizações. De acordo com a gerente de Recursos Humanos da Unimed Noroeste/RS, Sandra Carneiro, a instituição tem observado resultados positivos desde a implementação de ações voltadas ao cuidado emocional dos colaboradores.

“É fundamental que cada pessoa se perceba de forma integral: como está o sono, o equilíbrio emocional, a vida familiar e o trabalho. Entendemos o colaborador na totalidade, e por isso buscamos acolher as questões emocionais, incentivando a busca por ajuda e apoio”, ressalta. A gestora explica que a Unimed desenvolve ações contínuas ao longo do ano, com mensagens de acolhimento, palestras, oficinas e espaços de escuta. “Criamos um ambiente no qual o colaborador se sinta confortável para pedir ajuda quando necessário, possibilitando o encaminhamento para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico”, afirma. Além disso, quando há afastamentos relacionados à saúde mental, é realizado um acompanhamento individualizado pela área de Gestão de Pessoas.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

No ambiente de trabalho, diversos fatores organizacionais podem impactar a saúde mental. Sintomas como ansiedade, irritabilidade, desânimo, perda de interesse, sensação de incompetência e fracasso merecem atenção, especialmente quando associados a manifestações físicas, como dores musculares, dor de cabeça, distúrbios gastrointestinais, alterações no sono e fadiga.

“Viver bem está diretamente ligado ao autoconhecimento. Investir na saúde como um todo, corpo e mente, é essencial. Buscar ajuda e reconhecer os próprios limites são atitudes fundamentais”, reforça a psicóloga Giovana.

Algumas ações podem ser adotadas no dia a dia, como:

  • Romper o isolamento e buscar espaços de fala
  • Compartilhar experiências com pessoas de confiança
  • Procurar apoio profissional sempre que necessário
  • Cultivar relações positivas com familiares e amigos
  • Praticar o autocuidado por meio de atividades prazerosas e relaxantes

 Campanha Janeiro Branco

A campanha Janeiro Branco surgiu em 2014, em Minas Gerais, idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão. A iniciativa utiliza o simbolismo do início do ano como uma “página em branco”, convidando à reflexão sobre a vida, as emoções e a importância de cuidar da saúde mental ao longo de todo o ano.

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